Muito se fala hoje em dia a respeito do reposicionamento estratégico das empresas, da busca por uma identidade forte e sólida, do reconhecimento da empresa perante o público em geral. E, quase sempre culmina na mudança de marca, ou, mais especificamente: redesign de marca.
Acho (na minha humilde opinião), que estamos no momento do redesign de marcas, onde muitas empresas estão procurando escritórios de design para mudá-las. Muito bom isso! Mostra que elas querem modernizar-se, avançar no reconhecimento do público. Mas, o que está acontecendo, em alguns casos, é que as agências estão simplesmente mudando por mudar a marca, e não estão fazendo uma pergunta básica: será que é isso que a empresa precisa? Uma mudança de marca vai resolver realmente o que ela quer mostrar de novo? A resposta é: tem casos e casos. Em muitos casos, o redesenho vem acompanhado de uma mudança total da empresa, seja na postura com funcionários, seja na sua identidade como um todo, e não apenas mudando a fonte do seu logo, acho isso uma solução pequena e vazia, e é o que faz com que muitas pessoas ainda achem que qualquer um pode fazer esse trabalho, e não apenas os designers. Então, resolvi reunir alguns redesenhos de marcas e comentá-las com vocês, eu fiz a busca no site do Carlos Henrique Vilela. Separei por "categorias", pra melhor explicação, lembrando que são opiniões minhas, no qual vocês tem todo o direito de não concordar.
Redesenhos bem-sucedidos:
A marca da Amazon, antes sem muita expressão, ganhou um sorriso maroto, típico de quando estamos navegando em um site, e achamos algo que nos agrada.
A Caloi é uma empresa com muitos anos de tradição, o redesenho da marca simplificou o que tinha de mais importante a ser mantido: a estrutura da bicicleta: a roda. Senti falta apenas de um fator que deixasse a marca mais humana.
Esse é um caso clássico de simplificação da marca, mantendo apenas as características principais, como a ludicidade e o mundo em que a criança descobrirá no canal. E, tecnicamente, a marca ficou muito mais fácil de ser reproduzida, diminuída, visualizada.
Na minha opinião, um dos melhores redesenhos. A marca conseguiu sintetizar rapidez, agilidade, modernidade e inteligência. Viram a seta dentro das letras "E" e "x"? Genial!
A nova marca da natura conseguiu algo interessante: em pouco tempo, as pessoas não lembravam mais da marca antiga, e já conseguiam associar a nova marca à empresa. A ideia de usar a imagem da folha caindo, e usá-la como símbolo, é incrivelmente inteligente, mostra a postura da natura de ter cuidado com a natureza, e só usar o que a natureza descarta.
O redesenho da marca poderia ter sido um desastre, pois a fonte utilizada era muito característica da empresa. Mas, o bom gosto venceu, e a nova marca surgiu elegante, fina, inteligente e tecnicamente incrível, ou seja, uma joia (Não resisti ao trocadilho).
Redesenhos desnecessários:
Sabe quando você vê a "nova marca", e vê apenas uns brilhos, efeitos de brilho? Então.. honestamente, nem considero como redesenho, apenas um "fru-fru" na marca:
Preferia a primeira, era mais limpa e menos enfeitada. A nova parece a antiga, e a antiga parece a nova.. tem algo errado.
Mais uma que entrou na onda de tri-dimensionamento da marca, mais uma vez, desnecessário.
Sem comentários.. não consigo nem ler o nome da empresa.
Gente.. tenho um pouco de vergonha alheia. A agência deve ter pensado: como podemos deixar a marca com cara de moderna? Que tal um efeito degradê? E um círculo em volta da marca? Ai ai.
Aqui não questiono o redesenho, e sim a sigla que se formou com a nova marca: WTF. Pra quem não sabe, em inglês, WTF é "Que @#$% é essa?" Tenso.
Fico imaginando essa marca tentando ser aplicada em cartão de visita, timbrado.. adesivo. Estranho.
Mais uma vez, o caso de seguir o que está na moda do design, me espanta um grupo tão grande aceitar essa nova marca, o kerning da fonte é horrível, o símbolo parece duas geléias. Uma pena.
Redesenhos desastrosos:
Um dos poucos casos que conheço, no qual uma empresa volta atrás na decisão de uma nova marca é o da GAP. No ano passado ela anunciou a mudança da marca. Uma versão burra e preguiçosa do que poderia ser feito com a marca. Simplesmente colocaram um fonte Helvetica, e um quadradinho com degradê (olha ele de novo), e inventaram conceitos e conceitos para justificar o injustificável. Resultado: Uma enxurrada de e-mails, manifestações no Facebook, Twitter, acabando com a nova marca, e suplicando que a marca antiga voltasse. Pessoas falavam do quanto eram apegadas a marca, o quanto ela lembrava a infância. E, a empresa (num caso inédito), voltou atrás. A marca continua a mesma, e a agência que fez o redesenho deve ter ficado com o prestígio lá em baixo. Mas, sinceramente, acho merecido, porque refazer uma marca tão conhecida, e desconsiderar os aspectos simbólicos, emocionais e relacionados ao inconsciente coletivo, é, no mínimo ingênuo.
Antes (e agora atual) Depois














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